Transamerica Expo Center
Entrevista: Priscilla de Sá – Coach para mulheres

27 mar 2018

Entrevista: Priscilla de Sá – Coach para mulheres

A desigualdade de gênero ainda é uma realidade nos mais diversos segmentos da sociedade, incluindo o ambiente corporativo. Os obstáculos enfrentados pelas mulheres são inúmeros, como a falta de oportunidades para a progressão de carreira e salários inferiores ao dos homens que ocupam os mesmos cargos.

Neste mês simbólico, a equipe da Transamerica Expo Center convidou a jornalista, psicóloga e business coach, Priscilla de Sá, para comentar sobre esse tema. Ela foi criadora, em 2008, do Pink Coaching, o primeiro programa brasileiro de coaching de carreira online para mulheres. Além disso, Priscilla já foi entrevistada por importantes programas de televisão e, atualmente, tem um canal no youtube sobre liderança feminina. Confira o bate-papo:

Qual é o diferencial do coaching específico para mulheres?

É importante ressaltar que não há nada no comportamento ou nos processos cognitivos da mulher que demandem uma abordagem específica em Coaching. O que há é uma cultura que ainda dificulta o acesso das mulheres aos postos de maior responsabilidade.

Então, se as entrevistas de emprego para mulheres contêm perguntas sobre filhos pequenos (sem falar no “risco maternidade” usado como justificativa para pagar salários até 30% mais baixos para elas), e tal conduta não se aplica aos candidatos homens, os processos de coaching de carreira para as mulheres devem considerar o tratamento desigual que elas recebem desde a entrada no mercado de trabalho.

À coach que trabalha com mulheres não cabe “consertar” nem vitimizar a cliente, mas atuar como uma aliada na busca da mitigação desses fatores por meio do protagonismo e da alta performance.

Quais são os principais desafios que impedem as mulheres de trilharem e sucederem no ambiente corporativo?

A cultura machista ou, no mínimo, patriarcal que ainda impera na maioria das organizações, modelos ultrapassados de gestão que estimulam a agressividade, a competição e a verticalização do poder, e até – acredite – o ar condicionado gelado pode ser hostil às colaboradoras. Aos poucos, vemos mulheres ascendendo e ajudando a transformar essa cultura.

Você pode comentar sobre algum caso de transformação que marcou a sua carreira como coach?

Posso falar que os casos que mais me marcam são aqueles em que as minhas clientes conseguem ir além do sucesso individual e se tornam multiplicadoras do empoderamento. Quando uma cliente conquista uma promoção, eu triunfo como profissional. Quando uma cliente ajuda outras mulheres a crescerem, eu triunfo como mulher. O sucesso, para mim, é mais que bater uma meta, é realizar um propósito.

Quais são os diferenciais dos eventos voltados especificamente para mulheres, como as palestras ministradas por você?

Eventos conduzidos por e para mulheres são oportunidades preciosas de dar voz a quem tem sido silenciada há séculos. Esse nível de empatia é o que tantas de nós precisam para não desistir de expressar seus talentos no ambiente corporativo. As mulheres que assistem às minhas palestras dizem que se sentem como se eu as conhecesse profundamente. Elas saem de lá certas de que é possível assumir o protagonismo da carreira, ajudar a empresa a crescer, sem perder o melhor da vida.

O que você diria a todas as mulheres brasileiras neste mês simbólico?

Pense na liderança como a oportunidade de ser mais mentora e menos fazedora. Adote uma profissional mais júnior e ajude a formar uma rede poderosa porque esse é o caminho para organizações mais justas, inovadoras e prósperas.